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Vera Duarte acredita que ALC deu “passos importantes” para a internacionalização da literatura cabo-verdiana

A presidente cessante da Academia Cabo-Verdiana de Letras (ALC) afirmou hoje que durante o ano de 2017 conseguiram dar alguns passos no projeto de internacionalização da literatura cabo-verdiana, mas que agora cabe à nova direcção dar a continuidade ao ensejo.

Presidente da Academia Cabo-verdiana de Letras

créditos: Inforpress

Com a tomada de posse da nova direcção, encabeça por David Hopffer Almada, marcada para esta sexta-feira, na Cidade da Praia, a presidente cessante, Vera Duarte, disse, em declarações à Inforpress , que a Academia conseguiu cumprir com o seu objetivo inicial , que era, explicou a escritora, “valorizar o passado, dignificar o presente e enriquecer o futuro”.

O ano de 2017, para Vera Duarte, foi um “ memorável” para a literatura cabo-verdiana, pois, segundo lembrou a responsável, foram realizados três encontros internacionais no país, como o Festival de Literatura Mundo, na Ilha do Sal, a sétima edição do encontro lusófono dos escritores, na Cidade da Praia, e a Morabeza-Festa do Livro.

“Permitiram aos escritores cabo-verdianos sentarem-se, na mesa, com os seus pares de outros países e dialogassem sobre a literatura e o impacto da literatura, na própria sociedade cabo-verdiana. Foi algo que nos motiva bastante, e são actividades que lançam sempre efeitos para o futuro”, disse, acrescentado que estas actividades foram uma “óptima colheita” para este projecto de internacionalização da literatura cabo-verdiana.

Durante o seu mandato, a escritora disse ainda que tiveram a oportunidade de assinar protocolos de parceria com entidades de outros países, que permitiram à divulgação do livro e dos escritores cabo-verdianos.

Fruto da parceria com a Academia Brasileira de letras do Sergipe, está prevista a chegada, no dia 11 de Janeiro, de uma delegação de 22 brasileiros, constituída por professores, universitários e membros da referida Academia a Cabo Verde.

Juntas, as duas Academias vão desenvolver, com a Cátedra de Eugénio Tavares, da Universidade de Cabo Verde, atividades literárias, nomeadamente o empossamento de uma professora brasileira como membro da ACL e também o empossamento de Vera Duarte como membro da Academia de Letras do Brasil.

Relacionado ainda com as parceiras, Vera Duarte destaca a assinatura de um protocolo com a Bridgewater State University dos Estados Unidos, em que esta instituição se compromete em traduzir para o inglês algumas das obras de autores cabo-verdianoss e fazer a sua divulgação lá fora.

Informou ainda que a Academia Cabo-verdiana de Letras produziu e publicou uma obra colectiva com mais de 40 autores cabo-verdianos, sobre a prosa literária pós-independência, que poderá ser traduzida e lançada em inglês pela Bridgewater State University.

Por outro lado, indicou que, pelo facto de ser a presidente da ACL, foi eleita por outras entidades no exterior, como membro da Academia de Ciências de Lisboa, Academia de letras no Brasil e patrona dos colóquios de lusofonia, nos Açores.

Durante quatro anos de existência, apontou que ALC realizou actividades como conversas nas escolas, palestras, lançamentos de livros, homenagens aos escritores, e ainda levou a literatura cabo-verdiana para Brasil, Estados Unidos, Portugal e Canárias.

Com a nova direção, liderada por David Hopffer Almada, que toma a posse esta sexta-feira, Vera Duarte acredita que, para além de uma linha de continuidade, a nova equipa vai introduzir novas actividades que vão enriquecer a vida cultural em Cabo Verde.

“O grande desafio de sempre de uma associação de escritores ou academia de letras é ajudar a criar, aumentar e a densificar o gosto pela leitura, pelo livro e pela escrita. Portanto, tendo como essa ideia básica, claro que haverá um trabalho de continuidade, porque ALC nasceu para criar o gosto pelas letras e literatura cabo-verdianas”, sublinhou.

De acordo com a escritora, há quatros anos, na altura da tomada de posse da direção cessante, elaboraram uma lista com 21 livros de “autores imortais” cabo-verdianos que gostariam de ver reeditados, mas não conseguiram editar todos.

Neste sentido, Vera Duarte espera que a nova direcção, em parceria com o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, possam reeditar algumas dessas obras que constam dessa lista e que mais obras de autores cabo-verdianos sejam traduzidas para outras línguas, como o inglês e o francês.

Para além de David Hopffer Almada, que preside, o conselho diretivo da Academia Cabo-Verdiana de Letras integra ainda os escritores Jorge Tolentino, Dany Spínola, Hermínia Curado e Carlos Alberto Barbosa.

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