Artigo

Vera Duarte: A televisão pode contribuir para aumento dos leitores autores e de obras publicadas

A escritora cabo-verdiana Vera Duarte defendeu hoje que, apesar da televisão ter limitações a nível geral, ela poderá contribuir para aumentar o número de leitores autores e de obras publicadas tendo como base a transversalidade dos programas.

Presidente da Academia Cabo-verdiana de Letras, Vera Duarte

créditos: Inforpress

A constatação foi feita à imprensa, momentos antes da escritora fazer a sua intervenção no painel “Novas tecnologias de imagem e a internet”, onde irá abordar a temática “Lusofonia literatura e televisão”, no âmbito do VII Encontro de Escritores de Língua Portuguesa, a decorrer até domingo na Cidade da Praia.

“A televisão desempenha um papel importante e positivo nas sociedades, e poderá ajudar a aumentar de forma constante o número de leitores, autores e de obras publicadas através dos encontros com autores, na divulgação de obras e debates sobre livros”, assegurou, frisando que a junção entre a literatura e a televisão é um casamento muito feliz.

Vera Duarte, que é também presidente da Associação de Escritores Cabo-Verdianos (AEC), disse que, por um lado, irá falar sobre o impacto da literatura na televisão e, por outro, a influência da televisão na literatura tendo em conta a transversalidade dos programas televisivos e o público a que se destinam.

A ideia, explicou, é fazer a ligação entre a lusofonia no seu sentido restrito de falar português, ou seja, avaliar como é feita a ligação entre a televisão e a literatura que é produzida nos países que tem o português como língua oficial.

“Eu entendo que fruto dessa língua comum que nós herdamos desses 500 anos de convivência colonial, efetivamente, há esse traço e denominador comum que circula pelos oito países que é a gente expressar-se muito na língua portuguesa, mas cada um dos países expressa nas suas respectivas línguas nacionais e maternas”, realçou.

Do ponto de vista de Vera Duarte, o facto de existir essa língua comum, que é falada por mais de 300 milhões de pessoas, é o horizonte que se abre a própria literatura em português.

A escritora é de opinião que livros em formato de papel sempre vão existir e acredita que a leitura através da Internet é tão válida como aquela que é feita com o esfoliar dos livros e que deve ser entendida como uma forma de aumentar a divulgação das obras.

Vera Duarte, que participa no painel “Novas tecnologias de imagem e a internet” com o tema “Lusofonia literatura e televisão”, disse esperar que o evento possa contribuir para aumentar o público fazer com que mais pessoas se aproximem da literatura para lazer, divertimentos, ocupação de tempo, mas também para a sua formação e informação.

Para esta tarde, está prevista ainda a exibição do filme “O Grande Kilapy”, do cineasta angolano Zezé Gamboa.

O VII Encontro de Escritores de Língua Portuguesa decorre sobre o tema “À margem da literatura” e reúne escritores, cineastas e jornalistas de Cabo Verde, Angola, Moçambique, Portugal, Brasil, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau e Timor-Leste para debaterem questões de interligação da literatura com as novas tecnologias.

Promovido pela União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), em colaboração com a Câmara Municipal da Praia, o encontro de quatro dias acontece pelo segundo ano consecutivo na capital cabo-verdiana.

Comentários