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Sociólogo e investigador lança livro que retrata vida e obra de Simão de Barros

O sociólogo e professor universitário Nardi Sousa lança esta sexta-feira,27, na Cidade da Praia, o livro que retrata a vida e obra de Simão de Barros, intitulado “Simão de Barros: Uma leitura Metafísica do Diário de Santelmo (1909-1947)”.

créditos: Inforpress

Em declarações à Inforpress, o investigador avançou que pretende com esta obra “trazer para Cabo Verde” a figura de Simão de Barros, que considerou como um dos primeiros cientistas sociais cabo-verdiano, tendo em conta que o seu interesse não apenas para a literatura, mas também para outras áreas como a Economia, Ambiente, Administração e História.

Informou ainda que o livro está dividido em 11 capítulos e em três partes: no primeiro capítulo, fez a recolha das memórias junto das pessoas que conviveram, ouviram ou leram sobre Barros, no segundo o autor analisa o “percurso académico no contexto do Estado Novo” e o interesse pelo Direito, as cadeiras, os professores e os colegas.

Já no terceiro capítulo, o autor aborda “o papel de Lisboa entre as duas Guerras Mundiais”, um capítulo que Nardi Sousa considera de “muito importante” para os cabo-verdianos e portugueses, tendo em conta que Lisboa era tido como “capital mundial de espionagem” e toda a participação de Portugal na guerra civil espanhola.

Ainda de acordo com o pesquisador, a aliança de Portugal com os nazistas, embora o país tenha assumido uma "pseudo-neutralidade", prejudicou muito os interesses de Cabo Verde". No mesmo capítulo, trata da trajetória profissional de Simão de Barros como administrador no Mindelo e no Tarrafal.

O segundo capítulo versa sobre a questão do “processo de sindicância” em que começa a ter a desavença com o ex-governador, devido a forma como governavam Cabo Verde, porque segundo Sousa, Barros se considerava um “homem de ação e não burocrata”.

E no terceiro capítulo traz “Simão de Barros na primeira pessoa”, através dos seus escritos, em que o mesmo fala sobre Cabo Verde, economia, história, ambiente e as propostas para transformar Cabo Verde, com enfoque na agricultura, exploração marítima, industrialização, economia solidária, ensino técnico, nova política de emigração, nova liderança e consensos estratégicos.

De acordo com Nardi Sousa, nas suas propostas para transformar Cabo Verde, Simão de Barros abordou a temas como construção de barragens em 1930-1940, por isso “muito dos nossos políticos não descobriram a pólvora”.

“Ele nunca viu o problema de Cabo Verde na perspetiva de falta de chuva e no determinismo climatérico”, disse, afirmando que o mesmo dizia que “nunca souberam tratar os problemas de Cabo Verde e dos camponeses, principalmente do interior de Santiago”.

Para o autor, o livro científico e que também toca na literatura, história, ambiente, administração de Cabo Verde, vai ser uma descoberta para os cabo-verdianos que gostam de ler.

"Sobretudo, com esta obra, os académicos e os historiadores recentes vão ter que rever as suas posições", notou.

Informou que o livro é fruto de uma “longa pesquisa” sobre Simão de Barros, um intelectual cabo-verdiano, sendo que 60 porcento (%) da obra livro resulta de pesquisas e 40% fazem parte os escritos deixados por Simão de Barros.

De acordo com Nardi Sousa, Simão de Barros era um intelectual cabo-verdiano que faleceu muito jovem, em 1947 e era um pesquisador “especial” porque formou-se em Direito e fez altos estudos coloniais durante o Estado Novo.

A obra, dada à estampa pela Edições US, que já foi lançada no dia 12 em Portugal, será dada a conhecer esta sexta-feira,27, na Biblioteca Nacional, Cidade da Praia, às 18:30 e a apresentação vai estar a cargo de Felisberto Vieira Lopes e Ana Maria Freire.

Nardi Sousa é sociólogo, Doutor em Ciências Sociais e professor universitário. Pesquisa temas relacionados com a África e a Diáspora Negra, Migrações, Juventude, Cidadania Local, Cultura, Yoga e Espiritualidade. É autor do livro Imigração e Cidadania Local: Associativismo Imigrante e Políticas Públicas de Portugal (2003).

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