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São Filipe: Palestra sobre as bandeiras e produção de um documentário no programa da festa do centenário

A festa da bandeira de São Filipe, a maior festa tradicional de Cabo Verde, celebra este ano o centenário (1917 -2017) do seu desenterro.

créditos: Foto@Inforpress

Uma palestra sobre as bandeiras da ilha do Fogo,  com destaque para a de São Filipe, e produção de um documentário televisivo constam do rol das atividades comemorativas do centenário (1917-2017) do desenterro da bandeira de São Filipe.

A palestra contará com a participação de três estudiosos das bandeiras e outros aspectos culturais da ilha do Fogo, nomeadamente, os professores José Maria Semedo, Fausto do Rosário e Luís Pires, sob a moderação de Antonieta Lopes, sendo que o material saído da palestra será sistematizado numa brochura sob a responsabilidade de Antonieta Lopes.

Além da palestra, durante as festas deste ano, que se iniciam a partir de 20 de abril, a Casa das Bandeiras vai recolher depoimentos e testemunhos de pessoas ligadas às festas da bandeira de São Filipe, visando a produção de um documentário televisivo, segundo Henrique Pires, da Fundação Casa das Bandeiras.

Henrique Pires, que tem agendado para esta quinta-feira mais um encontro, o segundo num espaço de três dias, com o edil de São Filipe, para ultimar o programa, que em princípio estará disponível no início da próxima semana, disse à Inforpress que quer a Casa das Bandeiras quer a edilidade de São Filipe estão empenhadas e motivadas para realizar uma festa com dignidade e dimensão que o centenário merece.

“Este ano, as festas de São Filipe serão comemoradas ao longo do ano, até dezembro, não obstante no programa constar as atividades a serem realizadas até 01 de maio”, disse Henrique Pires, adiantando que as outras atividades serão anunciadas pontualmente.

Entre os dias 22 e 24 de abril, a Casa das Bandeiras promove, pela primeira vez, a festa para as crianças de São Filipe, através dos oito jardins infantis, que têm uma média de 400 crianças.

Segundo o responsável, as crianças serão recebidas durante três dias nas instalações da Casa das Bandeiras, por turno (das 09:00 – 13:00 e das 15:00 – 18:00) e durante a visita os tamboreiros e coladeiras farão demonstração, assim como de pilão para mostrar como se prepara o xerém da festa, prato tradicional da ilha, servido nos almoços das bandeiras.

As crianças terão ainda direito a um lanche e acesso a insuflável que será instalada na praça do Presídio.

No dia 25 de abril, a Casa das Bandeiras tem programado uma deslocação ao lar Madre Tereza de Calcutá, das Irmãs Franciscanas e onde está hospedado Padre Camilo Torassa, uma das figuras a ser homenageada este ano, devendo igualmente receber a visita dos idosos do lar de dia da Organização das Mulheres de Cabo Verde.

Durante as festas, a Casa das Bandeiras vai também apresentar o projeto do “museu da Casa das Bandeiras”, que vai contar com o apoio técnico do Instituto de Investigação do Património Cultural, disse Henrique Pires.

Aproveita para apelar a todos que dispõem de peças antigas relacionadas com as festas das bandeiras a fazerem a doação, com a garantia de que os nomes dos doares figurarão nas peças e na lista dos que contribuíram para a criação do museu.

Henrique Pires, que se encontrou quarta-feira com o edil de Santa Catarina do Fogo, devendo fazer o mesmo nos próximos dias com o edil dos Mosteiros, disse que há abertura da edilidade para descentralizar as atividades da festa de São Filipe, observando que as outras atividades serão realizadas também em Santa Catarina e Mosteiros para que as pessoas possam sentir que a festa é também delas e não apenas das pessoas de São Filipe.

Para esta edição, quer os cavaleiros, tamboreiros e coladeiras estarão vestidos a rigor e como manda a tradição, tendo para o efeito a Casa das Bandeiras mandado confecionar os respectivos vestuários.

A Casa das Bandeiras convidou a filha de Nho Aníbal, um dos membros do Grupo Sete Estrelos que em 1917 tiveram a ousadia de desenterrar a bandeira, mas devido a sua idade avançada e do seu marido, ela não estará presente tendo indicado um sobrinho, que é filho do escritor e médico Teixeira de Sousa para representar a família de Nho Aníbal nas festas deste ano.

A festa da bandeira de São Filipe, a maior festa tradicional de Cabo Verde, celebra este ano o centenário (1917 -2017) do seu desenterro. Não se sabe desde quando que a bandeira de São Filipe é comemorada na ilha, mas alguns documentos apontam que a mesma foi enterrada  no ano de 1771, o que significa que esteve 146 anos “enterrada”.

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