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Rony Moreira considerado “poeta maduro” apesar de ser “marinheiro de primeira viagem”

Foi vencedor do Prémio da Biblioteca Nacional de 2013, na categoria poesia.

créditos: Inforpress

Os apresentadores do primeiro livro de poesia “do escritor Rony Moreira, "Esticar o infinito até à borda do prato”, consideraram ontem, 25, o mesmo de “poeta maduro” mesmo sendo um “marinheiro de primeira viagem”.

Os apresentadores Filinto Elísio e José Luís Peixoto falavam na noite de hoje, na Cidade da Praia, após o lançamento do livro de poesias de Rony Moreira, dada à estampa pela Rosa de Porcelana Editora, o primeiro de três títulos de poesia e prosa que pretende lançar ainda este ano.

Para Filinto Elísio, que também é escritor, a obra de poesia deste que apelidou de “marinheiro de primeira viagem” é um “livro maduro e poeticamente maduro”, que, no seu entender, não se espera de quem aparece na poesia pela primeira vez.

“Rony Moreira surpreende e é a perplexidade deste trabalho que mostra o potencial de um novo grande poeta que Cabo Verde está a ter”, considerou.

Disse ainda que o escritor apresenta a ilha de Santiago nas suas poesias “não totalmente realista”, isto é, “distorce” através de metáforas e “cria um Santiago de fantasia”, e que tem “palpitações próprias”.

Adiantou que o estreante “não é apenas Santiago e Cabo Verde”, mas é “claramente um poeta Mundo” e que tem a “universalidade suficiente”.

Por seu turno, o também escritor José Luís Peixoto sublinhou que o livro de estreia de Rony Moreira é uma obra com uma “linguagem e uma voz nova” na literatura cabo-verdiana”.

Apesar de ter frisado que “certos temas já tratados na literatura e na cultura cabo-verdiana”, José Luís Peixoto sustentou que “esta nova voz e nova forma de fazer poesia” acaba por renovar tais temas.

“É sem dúvida um livro da ilha de Santiago”, atirou, asseverando que Rony Moreira é uma voz que “seguramente” será tida em consideração, porque é um nome que chega “plenamente maduro” com um livro de “grande coerência” e que “vale muita a pena ler”.

Em relação ao título dado a obra, Rony Moreira explicou que à plateia que “Esticar o infinito até à borda do prato” é a “criação do mundo” e é “muito mais daquilo que é”.

“O livro é um retrato pessoal do poeta sobre assuntos quotidianos. Sendo um poeta surrealista a musicalidade e o uso de simbolismo caracterizam a forma de escrita do autor”, acrescentou.

O livro, de 87 páginas, é composto por um conjunto de poesias e prosas e contém 30 poemas.

Rony Luís Moreno Moreira, nascido na Cidade da Praia, é licenciado em Sociologia pela Universidade Lusófona, ativista social e membro fundador do Movimento de Ação Cívica (MAC # 114).

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