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Retrospetiva/Cultura: Apesar do orçamento mais curto o ministério realizou com sucesso as atividades planificadas

O ministro da Cultura e das Indústrias Criativas afirmou hoje que apesar de ter tido o orçamento mais curto na história, o seu ministério conseguiu realizar, durante o ano de 2017, “com sucesso”, grande parte das atividades planificadas.

Abraão Vicente teceu estas considerações à Inforpress, em jeito de balanço do ano 2017, que considera “positivo”, porquanto o ministério conseguiu trabalhar numa base de investimentos de “saber-fazer” que o vai permitir, com mais recursos, implementar mais projetos em 2018.

Apesar de ter tido “o orçamento mais curto da história”, ou seja, 80 mil contos de investimentos, o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, segundo Abraão Vicente, teve de fazer uma “ginástica fora do normal” para chegar ao final do ano com verbas e com capacidade ainda de implementar alguns projetos.

Um dos projetos que engrossou as despesas deste departamento governamental foi o financiamento do filme “Os dois irmãos”, baseado no livro homónimo de Germano Almeida, que se vai estrear em Janeiro próximo, mas que não foi contemplado no orçamento do ano passado.

Abraão Vicente disse que durante este ano reparou que a cultura não é alvo de investimento externo, ou seja, as cooperações internacionais não investem no setor e não existe uma política de cooperação cultural.

“Isso limita-nos, (…) só podemos contar com as verbas do orçamento do Estado. Graças a uma boa articulação conseguimos, este ano, fazer parcerias com a Caixa Económica, CV Telecom, Garantia e o BCA”, indicou.

No setor da cultura, o ministro defendeu que é preciso semear durante muitos anos para que se possa colher bons frutos.

Entretanto, Abraão Vicente salientou que o Estado atrasou nos investimos que deveriam ter sido feitos ao longo de muitos anos, e, com isso, o setor, segundo ele, estava “completamente ao abandono”, no sentido de não haver uma planificação de investimento.

“Tivesse sido esse trabalho feito anos atrás e senão tivessem apenas financiado obras particulares e carnavais, neste momento tínhamos uma rede de estrutura pública bastante boa, o que não acontece agora”, reclamou.

Neste sentido, defendeu que Cabo Verde, agora, é obrigado a fazer um investimento que já deveria ter acontecido há 30 anos.

“Um país tão pequeno e com uma cultura tão rica deve apostar ainda mais na cultura e creio que há sensibilidade da parte do Governo para isso, mas essa sensibilidade deve ser traduzida nos próximos anos com um número maior”, enfatizou.

Com o orçamento disponibilizado, Abraão Vicente salientou que o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas conseguiu implementar o programa Bolsa de Acesso à Cultura, que beneficia 1.500 alunos a nível nacional, e “empoderar” as instituições ligadas ao ministério, como a Biblioteca Nacional, que acabou por ganhar uma visibilidade com a Morabeza – Festa do Livro.

A nível do artesanato, fez referência à realização da Feira de Artesanato e Design de Cabo Verde – URDI, em São Vicente.

“Conseguimos levar a cabo reformas legislativas relevantes, nomeadamente a nova lei dos direitos autorais e a nova lei de incentivos à comunicação social, que vai ser levado ao Parlamento para aprovação em Janeiro e Fevereiro de 2018”, apontou.

A nível da internacionalização da música e dos artistas de Cabo Verde, o ministro destacou a participação de Hélio Batalha, Silva Medina e Ellah Barbosa na 9ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa que decorreu em Outubro, em Macau, e de Cremilda Medina e Daisy Pinto no Festival Boreal, em Tenerife, Canárias, no mês de Setembro.

Informou ainda que o ministério financiou mais de quatro dezenas de viagens a artistas e produtores nacionais, para participarem em eventos internacionais, assim como financiou o Atlantic Music Expo, o último realizado sob tutela do Ministério da Cultura.

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