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"Reconhecimento das festas de São João como património imaterial nacional foi um objetivo conseguido"

A afirmação é o edil do Porto Novo, Aníbal Fonseca.

Porto Novo

créditos: Inforpress

O reconhecimento das festas de São João no Porto Novo, Santo Antão, que se celebram a 24 de junho, como património imaterial nacional foi um grande objetivo alcançado pelos porto-novenses, que, há vários anos, vinham almejando esse desiderato.

A afirmação é o edil do Porto Novo, Aníbal Fonseca, numa reação à resolução do Governo que classifica as festas de São João como património imaterial nacional, considerando que essa deliberação trará “mais brilho e vai potenciar ainda mais” essa manifestação cultural, uma das mais populares do país.

“São João identifica todos os porto-novenses e é uma manifestação que nos congrega a todos”, sublinhou o autarca, regozijando-se com a decisão do Conselho de Ministros, tomada semana passada, que vinha sendo aguardada, desde 2014.

Trata-se de “um desígnio”, há muito tempo, acalentado pelos porto-novenses, que desejam, agora, que essa manifestação cultural seja internacionalizada, avançou.

O processo de classificação das festas de São João Baptista como património imaterial nacional esteve a cargo de uma equipa do Instituto do Património Cultural (IPC), que está, também, a trabalhar, em parceria com a câmara do Porto Novo, na montagem, até dezembro, do museu das romarias.

O museu das romarias, cujas obras têm sofrido varias interrupções, está em construção há vários anos e pode ficar instalado ainda antes do final de 2017 ou nos princípios 2018. O Ministério da Cultura e Indústrias Criativas (MCIC) promete, agora, trabalhar, em parceria com a edilidade porto-novense, com vista a elevar as festas de São João a património imaterial mundial, em 2018. ”

O objetivo é maior. Pretendemos colocar as festas de São João como património imaterial mundial”, sublinhou Abraão Vicente, aquando da sua visita a Santo Antão, em setembro.

O MCIC pretende apresentar uma única candidatura das festas de São João, celebradas tanto em Cabo Verde, como em Portugal, onde esta manifestação popular é já uma festa de cariz nacional, reconhecida pelas autoridades portuguesas.

As festas terão começado a ser celebradas no Porto Novo no século XVII, com a chegada da imagem do santo, proveniente de Portugal, a Santo Antão. Em 1898, aquando da criação da paróquia do Porto Novo, este concelho já tinha cinco mil romeiros e 300 tamboreiros, que asseguravam as festas de São João. A criação do santuário de São João constitui outro projeto em carteira visando a valorização dessas festas.

A ribeira da antiga igreja, onde se celebra, todos os anos, a missa em honra do santo padroeiro, e onde se localiza a mais antiga capela do concelho, construída em 1905, vai ser alargada e requalificada para receber o santuário de São João, segundo a câmara do Porto Novo. Há quem defenda a construção nessa ribeira de uma basílica de São João.

O padre Adémario Delgado, natural do Porto Novo, autor de um trabalho académico sobre essas festas, entende que São João Baptista merece ter uma basílica para acolher a multidão que, todos os anos, assiste, na ribeira da antiga igreja, às celebrações religiosas em honra ao santo.

Foi nessa ribeira que terá vivido, no século 19, a Mãe Maia (Mê Maia), figura lendária ligada ao São João e onde se construiu, há mais de um século, a mais antiga igreja existente no Porto Novo, a capela de São João Baptista. Esse sacerdócio, atual pároco da paróquia de São Francisco de Assis, em São Nicolau, e que foi, curiosamente, ordenado padre, em 2010, precisamente na ribeira da antiga igreja, defende, pelo seu simbolismo, a preservação dessa ribeira, onde, na sua opinião, “estão as raízes” do Porto Novo.

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