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Poetisa santomense Olinda Beja defende retorno à tradição oral para incentivar o gosto pela leitura

Olinda Beja falava à margem o painel “A leitura como janela para o mundo”, no âmbito da semana da leitura, que acontece na cidade da Praia.

Poetisa santomense

créditos: Foto@Inforpress

A poetisa santomense Olinda Beja defendeu ontem, 25, na cidade da Praia, o retorno à tradição oral como forma de incentivar o gosto pela leitura.

“Todas as escolas deviam ter contadores de histórias, porque de pequenino é que se começa   a ter o gosto para a leitura e para a escrita”, frisou Olinda Beja à margem o painel “A leitura como janela para o mundo”, no âmbito da semana da leitura, que acontece na cidade da Praia.

A escritora disse que este encontro serve também discutir e encontrar soluções de incentivo à leitura, considerando que são muitos os fatores que impedem esse apego ao livro dos jovens atuais.

“O problema atual é que os jovens não leem e temos de fazer mais   para incentivá-los. É isso que estamos a discutir, de modo a encontrar soluções    porque trata-se de um dilema   muito grande”, notou a escritora.

Apontou o mundo virtual como um dos principais entraves à leituras, uma vez que, segundo ela, tem proporcionado uma “certa preguiça” de leitura às crianças e jovens.

“Eles hoje têm tudo à sua disposição, num mundo que lhe trás cor, som, movimento e luz. Isso atrai muito mais ao jovem   do que um livro”, explicou a poetisa, que também é contadora de histórias.

E, no entanto, disse que tem que haver uma estratégica, sobretudo para as crianças, para tornar o livro mais   atrativos.

O escritor português Francisco José Viegas disse que com a televisão e a internet os jovens e mesmo os adultos foram perdendo um” bocadinho” de curiosidade, indicando que há muitas coisas que só existem nos livros”

“A literatura é uma forma especial de conhecimento, uma vez que pode ser uma fonte de beleza, de conforto e de apoio”, disse o escritor.

E como alternativas de incentivo à leitura, Francisco José Viegas recomendou, em jeito de brincadeira a “proibição de ler”, justificando que se   os jovens forem proibidos de ler provavelmente iriam começar a ter maior interesse pela leitura.

Para hoje, no   âmbito desta semana de leitura, no período de manhã os participantes irão visitar algumas escolas da cidade da Praia e no período da tarde vai haver o lançamento da “Antologia da Ficção Cabo-verdiana”, a ser apresentado por Jorge Tolentino.

Os colóquios/debates serão encerrados a 28 de abril, com “Pôr-do-sol poético”, nos jardins do Palácio da Presidência e Sala Beijing, sendo os dois últimos dias (29, sábado e 30 domingo) dedicados à feira de livros.

De acordo com uma nota de imprensa, com esta iniciativa, o Presidente da República acredita que é possível dar início a uma “nova cultura” de leitura em Cabo Verde, sustentada, sobretudo, no maior acesso a livros e direcionados para diferentes classes de leitores, em todo o país.

O documento refere ainda que o mais alto magistrado da Nação pretende utilizar a influência junto de potenciais parceiros, no país e no estrangeiro, que estejam dispostos a colaborar, em diversas ações, entre estas a recolha de livros em “grande escala”.

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