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Festa do Livro Morabeza: Escritores defendem criação do estatuto do livro infanto-juvenil

Os escritores infanto-juvenis Odair Varela e Carmelinda Gonçalves defenderam ontem na Cidade da Praia a criação do estatuto do livro infanto-juvenil de modo a dar valor ao produto cultural e criar um ambiente e mercado de expansão.

Festa do Livro Morabeza

créditos: Inforpress

O desafio foi lançado em declarações à Inforpress, momentos antes de participarem na mesa redonda denominada “Stória stória”, no âmbito da Morabeza – Feira do Livro, que decorre na Cidade da Praia de 30 de outubro a 05 de novembro.

“A criação do estatuto do livro infanto-juvenil vai dar a valorização do produto cultural como livro, mas também criar um ambiente e mercado de expansão, uma vez que temos um enorme problema de distribuição e de divulgação sendo que há ferramentas que o próprio Governo pode desenvolver para fazer com que a obra ganhe espaço”, advogou Odair Varela.

Afirmou que é preciso ter um mercado, mas para isso será necessário criar canais de distribuição, bibliotecas escolares, promover professores-leitores para passar o gosto pela leitura, o conhecimento de autores e obras, tendo sublinhando que Cabo Verde precisa ter o plano nacional do livro e da leitura.

O autor do livro “A fita cor-de-rosa”, agraciado com a “Menção Honrosa” no Concurso Lusófono de Trofa – Prémio Matilde Rosa Araújo 2013, disse que a literatura infanto-juvenil no país está “muito mal” do ponto de vista das publicações e “muito bem” a nível das produções.

“O Estado está a falhar na sua função de promoção da leitura e da edição, porque ao longo dos 42 anos de independência, o Governo, através das instituições como ministérios, institutos de promoção cultural, só esteve na edição de 22 livros infanto-juvenis”, precisou frisando que isso é muito pouco uma vez que o que se quer é ter cidadãos cada vez mais instruído, culto e leitor.

Por seu turno, Carmelinda Gonçalves, que partilha da mesma ideia, afirmou que se houver um estatuto, o livro consegue chegar em locais onde normalmente não chega circular não só em Cabo Verde, mas também para outros países sendo que o universo da língua portuguesa é tão grande.

“Nós temos dificuldades em encontrar parceiros, de colocar livros para venda, de fazer chegar ao público-alvo” reconheceu frisando que além desses constrangimentos os escritores em Cabo Verde são confrontados também com a questão do preço porque além das famílias não terem o hábito pela leitura e nem incutirem esse hábito nas crianças, elas acabaram por priorizar outras coisas.

Autora das obras, “O Pirilampo e a Libélula”, “O ET”, ” O Espantalho” e o “Bullying”, admitiu que falta também um canal de distribuição e de produção, porque quem escreve a história acaba sempre por participar em todo o processo do livro.

Para Carmelinda Gonçalves, a escola pode ser um “bom canal” para despertar o interesse das crianças pela leitura, mas, “infelizmente, as estruturas escolares não têm bibliotecas, não existe um plano nacional de leitura, os professores não têm esse habito e livros devem ter uma língua boa, acessível e virado para as realidades cabo-verdianas”.

Para esta tarde estão previstos mais dois painéis de debates, nomeadamente, “Tantu stória pa-n kontâ-bu”, tendo como oradores Joaquim Arena e José Rodrigues dos Santos e moderador João Lopes Filho e o “Morabeza sobre Cabo Verde” que será moderado por Eileen Barbosa tendo como oradores o ministro da Cultura, Abraão Vicente, Mia Couto e Ana Margarida de Carvalho.

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