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Eurídice Monteiro descreve “Contos e Bosquejos” de Guilherme Dantas como “extraordinário livro” do século XIX

A apresentadora do livro “Contos e Bosquejos” do falecido escritor cabo-verdiano Guilherme Cunha Dantas, organizado pelo escritor Brito-Semedo, descreveu o mesmo de “extraordinário livro” do século XIX e que ajuda a recuperar uma parte da literatura cabo-verdiana.

créditos: Inforpress

Eurídice Monteiro falava aos jornalistas, na Cidade da Praia, à margem do lançamento da obra dada à estampa pela Livraria Pedro Cardoso, que fecha o ciclo de publicações completas das obras do falecido poeta lírico, romântico e jornalista cabo-verdiano, que vai desde poesia, romances a contos (ficção), 130 anos depois.

“Nós normalmente dizemos que a literatura pré-claridosa em Cabo Verde, ela é rara, mas nós estamos a descobrir tantas coisas belíssimas do século XIX e de princípios do século XX que nos ajudam a reconstituir esse período que é ainda um bocadinho sombrio e pouco conhecido da nossa história literária”, revelou.

No dizer da apresentadora, se for “analisada bem” a história deste autor pode-se questionar se ele não tinha sido o primeiro escritor originário de Cabo Verde a publicar um livro de ficção, salientando que têm outros casos, mas que os referidos autores não são cabo-verdianos, ou seja, as obras é que foram publicadas em Cabo Verde.

Lamentou ainda o facto de as obras deste que considerou de um dos “pioneiros e pilares da fundação da literatura cabo-verdiana”, têm vindo a ser recuperadas só agora.

“Contos e Bosquejos”, título atribuído pelo organizador da obra, Manuel Brito-Semedo, por ser um conto, que reúne um conjunto de contos de ficção, isto é, quatro contos intitulados de “Bosquejos”, e dá um livro de mais de 100 páginas.

Segundo o organizador da obra, o livro conta com um prefácio e notas explicativas do próprio e o título foi ele que o atribuiu, com o propósito de dar a conhecer vários escritos do poeta, tais como: "Bosquejos dum passeio ao Interior da ilha de Santiago"; "Cenas da Ilha Brava"; "Amor! Ai! Quem Dera"; "A Morte de D. João" e "O Sonho".

Dos escritos de Guilherme Dantas já foi lançado o livro poesias inédito organizado e comentado por Arnaldo França, lançado em 1996, e daí, segundo Brito-Semedo, o escritor que se tinha ficado no esquecimento passou-se a ser conhecido.

O próprio Brito-Semedo durante as pesquisas para o trabalho sobre imprensa cabo-verdiana, em 1999, descobriu um material de Guilherme Dantas, ou seja, um romance inteiro escrito em formato de folhetim inédito “Memória de um pobre rapaz” e contos “Bosquejos do interior de Santiago” que comparou com “Viagens da minha terra” de Almeida Garrett, fundador do romantismo português.

O romance “Memória de um pobre rapaz”, do falecido poeta, também organizado por Brito-Semedo, foi dada à estampa em 2007 pela Biblioteca Nacional.

Guilherme da Cunha Dantas é natural da ilha Brava, nasceu a 25 de junho de 1849 e faleceu na Cidade da Praia, ilha de Santiago, a 24 de março de 1888, aos 38 anos.

Publicou em Portugal, em 1867 (com 18 anos), o primeiro livro de contos intitulado “Contos Singelos” que continha dois contos “Cenas da Brava” e “Cenas de Mafra”, 12 anos depois do romance “O Escravo” de Evaristo de Almeida.

Foi funcionário público, bibliotecário da primeira Biblioteca Pública de Cabo Verde. A partir de 1877, foi amanuense da Contadoria de Junta de Fazenda Pública e também fundador do primeiro jornal de Cabo Verde, chamado de “Independente”.

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