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Escritora Vera Duarte resgata história da mestiçagem cabo-verdiana em novo romance

"Matriarca - Uma história de Mestiçagens" é o título do segundo romance da escritora cabo-verdiana Vera Duarte, que será lançado hoje, e que procura resgatar as origens até à atualidade do arquipélago, esperando atrair os jovens para a leitura.

"É um romance onde existem duas histórias de amor que se entrecruzam, mas é um romance que procura resgatar muito as origens do antigamente, da vida em Cabo Verde, as nossas origens", descreveu Vera Duarte à agência Lusa.

A também presidente da Academia Cabo-verdiana de Letras (ACL), e membro da Academia de Ciências de Lisboa, disse que tem uma "curiosidade e admiração muito grandes" pela formação da sociedade cabo-verdiana, que se criou de uma forma "ex-novo".

"Não tinha ninguém, as pessoas vieram de fora, criaram qualquer coisa aqui dentro e criamos uma realidade nova, embora haja mestiçagens em outras paragens, mas é uma realidade muito sui-generis", sustentou.

Além de resgatar algumas histórias do passado, Vera Duarte referiu que se trata de um romance "muito virado para a atualidade", onde quer atrair os jovens para a leitura.

"Ambiciono muito chegar a esse público juvenil, porque temos muito essa preocupação de ajudar a fazer aumentar o gosto da nossa juventude pela literatura. Acreditamos que é uma forma muito boa de desenvolvimento, de formação e de aprimoramento da personalidade", apontou, notando que é uma "escrita leve".

Na entrevista à Lusa, a escritora, que já foi ministra da Educação e Ensino Superior do país, disse que a sociedade cabo-verdiana de antigamente era "mais conservadora", mas a atual é "muito aberta", graças às mudanças e influências da diáspora e do que se passa lá fora.

Na sociedade atual, notou ganhos e evolução, sobretudo da mulher em vários domínios, mas apontou alguns "riscos e problemas" que preocupam, como as drogas e uso de bebidas alcoólicas.

"Há várias coisas que feitas com normalidade são inócuas, mas quando há exagero, cai-se no domínio dos vícios, que são mais condenáveis e que se deve fazer tudo para evitar que as pessoas vão por essas vias", recomendou a também ativista pelos direitos humanos, que em 1995 recebeu o Prémio Norte-Sul do Conselho da Europa.

O livro vai ser lançado hoje na ilha do Sal, porque, segundo a escritora, parte da história passa-se em Santa Maria e a capa é uma pintura do Pontão, um lugar emblemático e dos mais visitados na ilha turística.

Vera Duarte realçou ainda que o livro tem uma "coincidência interessante", pelo facto de começar com um "poema musicado" do Manuel de Novas, considerado o melhor compositor cabo-verdiano de todos os tempos.

A escritora disse que se trata de uma homenagem ao compositor são-vicentino, que morreu em setembro de 2009, tendo este ano sido alvo de vários outros tributos na sua ilha-natal.

Na próxima semana, o livro, editado pela Livraria Pedro Cardoso, será lançado no Centro Cultural Português (CCP), na cidade da Praia.

Depois de "A Candidata", lançado em 2004 e que recebeu o Prémio Sonangol de Literatura, "Matriarca - Uma história de Mestiçagens" é o segundo romance de Vera Duarte, que se estreou na literatura em 1993, com o livro de poesia "Amanhã Amadrugada".

Entre as suas outras publicações constam "O arquipélago da paixão" (2001), "Preces e súplicas ou os cânticos da desesperança" (2005), Exercícios poéticos Romance (2010), "A candidata Ensaios" (2003) e "Construindo a utopia" (2007).

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