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Editora Rosa de Porcelana projeta editar no mínimo 18 livros este ano

A editora cabo-verdiana Rosa de Porcelana projeta editar em 2017, no mínimo 18 livros que vão para além dos autores de Cabo Verde e Portugal e poesias e abrir-se para a literatura-mundo, miscelâneas e literatura infanto-juvenil.

créditos: Inforpress

Em entrevista exclusiva à Inforpress, para fazer a perspectiva do ano 2017, o proprietário e editor da editora também registada em Portugal e Macau, Filinto Elísio, considerou o ano de 2016 de “razoável fôlego”, apesar de não terem alcançado a meta de editar 12 livros.

Mesmo não tendo alçando a meta definida, que era editar 12 livros, lembrou que foram editados oito em 2016 e que a Rosa de Porcelana assumiu que o melhor desafio era fazer, “com rigor e prazer, bons livros e bons lançamentos”.

O ano de 2016, no qual tiveram como palco de lançamento dos seus livros Portugal, Cabo Verde, Angola, França e Bélgica, no dizer daquele responsável, foi ainda um ano em que se consolidaram como editora cabo-verdiana e tendo aberto portas para outros autores “não cabo-verdianos”, sendo o primeiro o escritor português José Luís Peixoto.

"Cartas de Amílcar Cabral a Maria Helena: a Outra Face do Homem" (organizado por Iva Cabral, Márcia Souto e Filinto Elísio), "Silvenius - Antologia Poética" (de Arménio Vieira), "Gritos no Silêncio" (de Jacob Vicente), "Zen Limites" (de Filinto Elísio), "Estrangeiras" (de José Luís Peixoto).

Ainda "Novos Subsídios para a História de Cabo Verde" (de Daniel Pereira), "O Escravo e Epístolas A, de José Evaristo de Almeida: Edição Crítica" (organizado por Elvira Reis) e "Terra, Pão e Mar" (de Djosa).

De acordo com Filinto Elísio, o catálogo editorial da Rosa de Porcelana é “diversificado”, e vai desde cadernos: poesia, prosa/drama e ensaio, mas este ano vão abrir mais cadernos como a literatura-mundo, miscelâneas e literatura infanto-juvenil.

Em relação à investigação, Filinto Elísio fez saber que têm três ou quatro obras, num universo de 15 títulos em três anos.

“Até esta, a poesia tem tido um grande espaço nas nossas edições, mas não nos resumimos a ela. Vamos dar mais atenção aos romances e aos ensaios”, acrescentou.

Já para 2017, ano em que comemoram quatro anos de existência, asseverou que a editora pretende “dar o grande salto quantitativo e qualitativo” trazendo novidades como a edição de um livro do poeta chinês Jidi Majia e outra da poetisa brasileira Christina Belinski.

Ainda vai dar à estampa a mais uma edição crítica sobre a Claridade, um livro de postais das viagens de Amílcar Cabral, e o ano será “fechado” com um álbum artístico de nome "Private Zoon: Tempos dos Bichos", com grafismo, fotografia e infografia do artista plástico Mito Elias e poesia de Arménio Vieira.

Ainda em 2017, têm previsto ainda lançamento de um livro sobre o desenvolvimento africano do angolano Adebayo Vunge e short-stories de João Lopes Filho, que este ano comemora 40 anos de escrita, assim com o projeto de narrativa histórica de António Correia e Silva e Zelinda Cohen.

No dizer de Filinto Elísio que também é escritor, o ano de 2017 também vai ser um ano em que a Rosa de Porcelana vai apostar em parceiras, nomeadamente com a Câmara Municipal do Sal, a ASA e a Curadoria de José Luís Peixoto, o Festival de Literatura-Mundo do Sal.

Também vão consolidar a parceria com os mecenas cabo-verdianos, dando-lhes mais visibilidade nas novas plataformas em criação.

“Igualmente, já estamos a cogitar a edição de materiais educativos e técnicos, bem como de produtos multimédia de caráter educativo e cultural. Também será um ano de novas parcerias que nos levarão a publicar E-Books”, revelou.

Antecipou igualmente que vão realizar algumas edições em língua inglesa, lançar uma revista online de Arte, Letras e Tecnologias, sendo-lhe já possível vendas online de todos os seus livros, através da sua distribuidora Europress.

Rosa de Porcelana Editora (que tem nome de uma flor também conhecida por Bastão-do-imperador ou Flor-da-redenção, e com o nome científico Etlingera elatior) nasceu em São Tomé e Príncipe, na sequência de uma residência artística que acolheu Filinto Elísio e Márcia Souto.

“A ideia era lançar uma editora diferente em que os editores, sendo também autores, dessem o seu contributo em Cabo Verde (e não só) para a fruição da leitura. Entretanto, já residentes em Portugal, a editora aderiu a um projeto de internacionalização que o formatou para todo o mercado lusófono, a partir de Portugal e de Cabo Verde”, disse o editor.

Para Filinto Elísio, a criação da Rosa de Porcelana foi um momento de viragem, isto é, vários mecenas em Angola, Cabo Verde e Portugal, bem como outros parceiros têm apostado nas edições da Rosa de Porcelana.

“Outro diferencial tem sido o estrito cumprimento dos direitos de autor e da promoção dos parceiros”, enfatizou.

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