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Djam Neguin lamenta “alguma inércia” existente na comunidade artística

Dançarino espera que o ciclo se reverta, principalmente na área da dança.

créditos: Foto cedida @Christian Barbosa Fotografia

Djam Neguin, nome artístico de Bruno Amarante, conversou com o SAPO, no âmbito de “Abril, mês da dança”. A Yakuarella Produções, empresa de eventos de Djam, está a promover várias atividades para assinalar o mês. O promotor e também ele dançarino lamenta que haja falta de adesão aos eventos por parte dos próprios dançarinos e fala em alguma “inércia” presente não só na área da dança, mas na comunidade artística no seu todo.

As atividades tiveram início com uma tertúlia e depois um fórum sobre danças urbanas, eventos mais focados nos próprios dançarinos. Segundo Djam, ambas as atividades permitiram fazer uma “constatação do estado das coisas” já que “não houve quase participação” por parte da comunidade da dança, apesar das atividades terem sido divulgadas.

“Percebeu-se que existe um desinteresse muito grande, por parte da comunidade da dança, para questões que dizem respeito à dança”, acrescenta.

Esta perceção levou a um debate, entre os presentes no fórum sobre danças urbanas. Do evento saíram algumas determinações, nomeadamente, um encontro da comunidade a ser realizado no próximo dia 30 de abril e a organização em grupo da comunidade.

A participação na peça "Tango.Ponto.Dog", que teve estreia no âmbito do festival Kontornu em janeiro, também ficou aquém das expetativas. "Talvez porque as pessoas não estão habituadas a pagar para ver espetáculos de dança”, especula o organizador.

A falta de público levou a outra reflexão. Segundo Djam, poderá ser necessário fazer o trabalho ao contrário: ir ao encontro das pessoas e fazer espetáculos móveis, nas ruas, nas escolas e “criar um público” que posteriormente poderá ir ver peças de danças.

Na sequência desta reflexão, a peça “Camponês” vai ter entrada gratuita no dia 27, às 19 horas, no pequeno auditório do Palácio da Cultura Ildo Lobo, um espaço que é parceiro das iniciativas no âmbito de “Abril, mês da dança”.

IV Mostra da dança

A habitual gala que tem lugar no dia Mundial da Dança, 29 de abril, este ano vai acontecer durante um festival sem álcool promovido, no mesmo dia, pela Presidência da República no âmbito da campanha "Mais Dança, Menos Álcool".

A IV mostra da dança conta com a participação de 10 a 12 grupos, todos de Santiago, e conta com demonstrações de vários estilos de dança desde o contemporâneo ao tradicional.

Os espetáculos devem arrancar a partir das 17h30, na Gamboa.

“Entre não fazer nada e fazer pouco, mais vale fazer pouco”

Segundo Djam esta edição de “Abril, mês da dança” está a ser menos exaustiva, do que as edições anteriores.

“Entre não fazer nada e fazer pouco, mais vale fazer pouco”, evidencia o dançarino, salientando que, tendo em conta as dificuldades, tem-se procurado realizar atividades que envolvam poucos custos. Daí que as parcerias como as da Presidência da República e do ministério da Cultura tem sido importantes.

Lamentando que existe um certo “inativismo” e “inércia” em Cabo Verde, não só na dança, como noutras áreas das artes, Djam salienta que “é necessário reivindicar o papel da arte” e “perceber o que falta fazer” para depois exigir o seu espaço.

Consciente de que os resultados não vão ser imediatos, o artista tem a esperança de que “o estado das coisas” possa mudar futuramente.

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