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Dança: Companhias e escolas apontam formação como o “único caminho” para a qualidade

As companhias, grupos e escolas de dança apontam a formação para os profissionais e professores de dança como o “único caminho” para se atingir a qualidade que se quer para esta arte em Cabo Verde.

créditos: Fotos@Inforpress

A ideia é defendida pelos coreógrafos e dançarinos Mano Preto (Grupo Raiz di Polon), Bruno “Djam” Amarante (Cia Djam Projects) e Nicole Barros (Escola de Dança Nicole), em declarações à Inforpress, no âmbito do Dia Internacional da Dança que se comemora hoje,29.

De acordo com Mano Preto, do grupo Raiz di Polon, outrora, ou seja, nos anos 90, havia mais grupos na Paria e São Vicente e bailarinos (dança tradicional e contemporânea) e os mesmos tinham “mais níveis” e eram “mais empenhados”, lembrando ainda que havia mais intercâmbios e formações.

No seu entender, nessa época, mesmo com a existência de muitos dançarinos, havia “nível e qualidade”, lamentando o facto de muitos que tinham essas qualidades terem deixado o país, o que faz “cair” muito a qualidade da dança no arquipélago.

Agora, com o surgimento das danças modernas, urbanas, hip hop, disse que há poucos bailarinos e “menos qualidade” que, segundo explicou, se deve ao facto de muitos querem já serem considerados profissionais de imediato.

Alerta que na dança exige muitos anos para se consolidar, ou seja, ser considerado profissional.
“Para se atingir a qualidade é preciso viajar para ver festivais internacionais e não fazer cópias no Youtube”, apontou com sendo o “único caminho” para o “futuro da dança em Cabo Vede”.

Já para Bruno “Djam” Amarante, do Cia Djam Projects, a dança em Cabo Verde é uma arte por desenvolver e necessita ainda de muitas formações, afirmando que a qualidade ainda não se atingiu.

Lamentou o facto de Cabo Verde não ter uma classe artística de dançarinos, mercados e nem eventos para que os grupos possam mostrar os seus trabalhos, o que, no seu entender, leva ao desaparecimento de muitos grupos.

Por seu turno, a coreógrafa e dona da escola de dança Nicole, Nicole Barros, a dança já melhorou muito em Cabo Verde, mas, no entanto, reconheceu falta ainda muito para se evoluir, apontando a profissionalização de professores com caminho.

“Precisamos ainda consciencializar mais o que é dança. É isto que nos está a faltar”, notou.
De entre vários estilos, sublinhou que o ballet, uma das apostas da sua escola, ainda não chegou no nível de mostra um “ballet clássico a sério” e que as pessoas ainda não têm a noção do que é Ballet.

Em termos de apoios, todos são unânimes em afirmar que mesmo não sendo “muito em termos monetário”, as coisas estão “mais claros” e os critérios para se conseguir estão de acordo com a qualidade.

O Dia Mundial da Dança foi instituído em 1982, pelo Conselho Internacional da Dança (CID), entidade criada sob a égide da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

A data foi escolhida para recordar o nascimento do coreógrafo francês Jean-Georges Noverre (1727-1810), um dos pioneiros da dança moderna, com o objetivo de celebrar esta arte e mostrar a sua universalidade, além das barreiras políticas, éticas e culturais.

Em comemoração a esta data foram promovidas várias atividades por associações, escolas e outras entidades ligadas à dança, que vai desde espetáculos, workshops, demonstrações e palestras que culminam hoje com um festival na praia de Gamboa intitulado “IV Mostra de Dança” em parceria com a iniciativa presidencial – festival “Menos Álcool, Mais Vida”.

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