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Capeverdean Dictionary, uma obra que quer preservar e celebrar o crioulo

Lançada em 2016, a obra tem cerca de 700 páginas e é um documento que quer celebrar a cultura cabo-verdiana.

créditos: Fotos cedidas/ Joli Moniz

Um ano depois do lançamento oficial, Liza Gonçalves e Josephine Tavares, filha e a sobrinha, respetivamente, do autor do “Capeverdean Dictionary” (dicionário cabo-verdiano), regressaram à cidade da Praia para promover a obra. Em conversa com o SAPO, as duas jovens falaram sobre o projeto que celebra o crioulo, enquanto língua, e revelaram novas ideias em carteira.

Em fevereiro de 2016, Manuel da Luz Gonçalves lançava o “Capeverdean Dictionary” (dicionário cabo-verdiano) na cidade da Praia. Natural da ilha do Fogo, este professor e investigador, que deixou Cabo Verde em 1973 para rumar primeiro para Portugal e depois os EUA, demorou cerca de 10 anos a pesquisar para elaborar esta obra com cerca de 4 mil palavras traduzidas do Crioulo para o Inglês.

“Desde pequenos, o meu pai ensinou-nos crioulo em casa, para ele sempre foi importante preservar a cultura (cabo-verdiana)”, explica Liza Gonçalves que nasceu em Boston, nos EUA.

Além de procurar preservar o crioulo enquanto língua e de querer celebrar a cultura cabo-verdiana, principalmente junto da diáspora, o autor, que em 2002 já tinha lançado uma outra obra relacionada com a língua crioula - “Pa Nu Papia Kriolu”, pretendeu com esta nova obra deixar um legado e fazer uma homenagem à mãe, já falecida.

O dicionário aposta em fotografias apelativas e visualmente “enche o olho”. O prefácio ficou a cargo do Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca.

O livro foi lançado em 2016, no dia da língua materna, 21 de fevereiro, na cidade Praia com uma apresentação cultural, recorda Josephine Tavares, editora da obra, que na altura conheceu pela primeira vez na terra dos seus pais. “Quando estava de partida, chorei porque não queria ir-me embora. Senti-me tão em casa”.

De seguida, o dicionário foi lançado nos EUA, no restaurante Cesária, bem como noutros locais junto das comunidades cabo-verdianas, na América do Norte.

Apesar do público-alvo da obra inicialmente ter sido a comunidade cabo-verdiana nos EUA, com o lançamento o espectro foi alargado, explica Liza Gonçalves e acrescenta que atualmente o dicionário é um ferramenta de trabalho para quem trabalha com cabo-verdianos, por exemplo, bem como para a comunidade académica nos EUA e não só.

Josephine Tavares acrescenta que hoje em dia o livro é solicitado em diferentes partes do globo. “Queremos fazer um “tour mundial” que englobaria Europa e África. Queremos também disponibilizar o livro para as escolas interessadas”, explica a filha do autor.

Numa primeira edição de 4 mil exemplares, cerca de mil já foram vendidos, em diferentes partes do mundo.

“O livro tem várias palavras que foram caindo em desuso, ao longo do tempo. Nas nossas apresentações, às vezes, desafiamos as pessoas a dizer uma palavra que de seguida pesquisamos no dicionário e, na maior parte dos casos, encontramos logo. As que não encontramos, guardamos numa lista (risos)”, conta a editora.

Josephine Tavares defende a oficialização efetiva do crioulo “porque é a língua que as crianças aprendem em casa e só mais tarde o português nas escolas”.

A jovem adianta que enquanto apresentadoras da obra acabam por conhecer vários emigrantes da quarta e da quinta geração que nunca falaram crioulo, a sua língua. “Com o livro conseguimos ouvir estas histórias e conhecer o percurso destas famílias. Não é só sobre o dicionário, em si. É o movimento à volta do mesmo que tem sido incrível e que levou a um “djuntamon””, salienta a mesma fonte.

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