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Ator cabo-verdiano Adriano Reis estreia peça “DesParaíso” em Portugal

A peça será apresentada no mês de junho em Cabo Verde.

Ator

créditos: Foto@Inforpress

O concelho de Sintra, Portugal, é palco, sexta-feira, da estreia nacional da peça teatral “DesParaíso”, uma comédia para dois atores sobre a diáspora africana lusófona nos subúrbios de Lisboa, sendo um dos protagonistas, o ator cabo-verdiano Adriano Reis.

Em junho, a peça fará uma digressão a Cabo Verde, mais concretamente às ilhas de São Vicente, Sal e Santiago - através do Instituto Camões - Centro Cultural Português do Mindelo e da Praia, da Academia Livre das Artes Integradas do Mindelo (ALAIM) e do Festival SalEncena.

De acordo com o diretor artístico e técnico do espetáculo, Paulo Reis, o texto da peça que entrança ficção e realidade, resulta de um fórum dramatúrgico que implica biograficamente o elenco (luso-africano).

“DesParaíso”, produzido por Musgo – Produções, será apresentado em quatro concelhos de Portugal, Sintra (Cacém, Rio de Mouro e Fontanelas), Porto, Lisboa e Seixal, complementado com a realização de uma oficina pedagógica sobre o tema da diversidade e integração, organizada em articulação com associações socio-culturais locais.

Segundo Paulo Reis, o espetáculo é a história de D’Jon, um africano lusófono que, migrante da sua pátria em busca do El Dourado europeu, “aterra” num dos mais pobres e perigosos subúrbios de Lisboa, onde, afinal, perdido de amores... se sente em casa.

“DesParaíso” compõe-se de pequenos quadros de situação nos quais acompanha-se as aventuras e desventuras do herói – D’Jon-, desde a partida de África até ao seu “estabelecimento”.

O espetáculo aposta, sobretudo, no trabalho dos dois atores, numa linguagem de encenação que se aproximará da estética, segundo o diretor da peça, do chamado Teatro do Absurdo, na acessão de Martin Esslin, que consiste em diálogos vigorosos, com jogos de vocabulário, recurso a clichês e nonsense, ou jogos físicos com situações de quotidiano viradas do avesso, sem sentido ou paradoxais.

Apesar de irresistivelmente político, explica Paulo Reis, o espetáculo não tem uma "agenda" ética de ativismo social, antes explora, hiperboliza, situações tragicómicas de um imigrante africano, caracterizando, lateralmente, idiossincrasias dos habitantes dos subúrbios de Lisboa.

Paulo Reis fez saber ainda que em cada uma das cidades de apresentação pretenderá atrair públicos diversos, com especial incidência, no caso das apresentações em Portugal, de elementos da comunidade africana, afrodescendente residente e portugueses residentes nas cidades e suas periferias suburbanas.

O diretor da peça indicou igualmente que após todos os espetáculos, abrir-se-á, nos lugares de apresentação, um espaço de conversa entre os criadores e a assistência.

As informações prestadas por Paulo Reis dão conta ainda que numa lógica de aproximação aos públicos dos temas convocados pelo espectáculo, realiza-se, em cada cidade, dirigida às comunidades locais, a oficina “Mais Diversidade, Melhor Humanidade”.

Esta atividade propõe uma abordagem metodológica via educação não formal, e é facilitada por Adriano Reis (intérprete).

Segundo Paulo Reis, a partir de "DesParaíso” pretende-se, com o grupo de participantes, inscrever, debater, aprofundar e antagonizar conceitos como Diversidade Cultural vs Xenofobia; Não-Ódio vs Estereótipo e Preconceito; Sentimento de Pertença e Identidade vs Desenraizamento.

Paulo Reis esclarece que “Mais Diversidade, Melhor Humanidade” surge, neste contexto, como elemento catalisador: reforça a ligação aos serviços educativos dos locais de acolhimento (ampliando o debate em torno do espetáculo) e, por outro lado, atrai públicos (participantes da oficina e seu círculo de influência) às salas de apresentação.

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