Artigo

António Correia e Silva e Zelinda Cohen trazem à historiografia cabo-verdiana a figura de Charles Darwin

Os historiadores António Correia e Silva e Zelinda Cohen, lançam esta terça-feira na Cidade da Praia, o livro de investigação intitulado “Cabo Verde: o Despertar de Darwin” no qual trazem para a historiografia cabo-verdiana a figura de Darwin.

créditos: Inforpress

“Estamos a trazer para a historiografia, esta personagem (Charles Darwin) que malgrado a sua importância não está presente na historiografia cabo-verdiana”, disse em declarações à Inforpress, António Correia e Silva, um dos autores da obra dada à estampa pela Rosa de Porcelana Editora.

De acordo com a mesma fonte, no decorrer desta escrita de “conciliação de investigação” notaram que Darwin é um “ilustre desconhecido da história de Cabo Verde”, isto porque, segundo sustentou, entre os grandes historiadores cabo-verdianos Sena Barcelos e António Carreira, não há referência de Darwin nos escritos sobre Cabo Verde.

Conforme avançou Correia e Silva, outro motivo de satisfação na escrita deste livro é que Charles Darwin conecta Cabo Verde com a história local e a história mundial, porque o impacto da sua obra foi mundial e ainda hoje faz-se sentir, e no livro também conectaram a história local com a história universal.

Informou que este livro na verdade tem duas personagens, por um lado Darwin e por outro Cabo Verde, ou seja, reconstituir Cabo Verde ao tempo de Darwin, entre 1832 e 1836, em que aconteceram as revoltas, quer a revolta do batalhão açoriano, quer a dos escravos de 1835, e fome de 1833.

Frisou, por outro lado, que no livro abordaram a estadia de Charles Darwin em Cabo Verde, que no seu entender serviu de “despertar” dele como investigador e cientista, considerando-o  “uma fonte importante para se conhecer Cabo Verde”, tendo em conta que elogiou o batuque que na época era considerado como uma coisa “selvagem” por parte dos europeus.

Afirmou ainda que quando começaram a escrever o livro, notaram que há um paradoxo, ou seja, que Cabo Verde é muito importante no “despertar de Darwin”, mas nas reconstituições Cabo Verde “quase desaparece”.

Correia e Silva fez saber que o livro também foi escrito pensando num “novo turismo” que não só se deve na sua oferta turística, sol e praia, mas também o turismo histórico e cultural.

“Nós quisemos que essa narrativa fosse parte deste esforço de reconversão da nossa oferta turística no mundo, e fomos buscar um homem que esteve em Cabo Verde num dos momentos centrais da sua carreira e de relevância mundial e que revolucionou a forma como pensamos e lidamos com o fenómeno vida hoje”, revelou.

António Correia e Silva assegurou que é um trabalho de investigação, com notas de rodapé, citações de documentos originários, mas ao mesmo tempo é um livro “simples” escrito para ser lido durante uma viagem e para quem tem curiosidade de aproximar-se do tema.

O livro que já foi apresentado em Portugal, vai ter como palco de lançamento o Palácio da Presidência da República, no Platô, Cidade da Praia, estando o ato a cargo do professor universitário Wlodzimierz Szymaniak, que fará uma breve comunicação sobre as viagens do Charles Darwin a Cabo Verde.

O lançamento do livro enquadra-se no âmbito da comemoração do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, celebrado hoje, 18 de abril, efeméride que a Rosa de Porcelana está a levar a cabo, da qual fazem parte também os livros “O Mistério da Cidade Velha” de Marilene Pereira.

Comentários