Artigo

Abraão Vicente quer com nova obra estreitar laços familiares entre pais e filhos

O livro "A Feiticeira de Fonte Lima" será apresentada hoje na cidade da Praia.

créditos: Foto@Inforpress

O ministro da Cultura e das Industrias Criativas, Abraão Vicente, quer com o livro “A Feiticeira de Fonte Lima”, estreitar os laços familiares entre pais e filhos, tendo em conta a “pouca literacia” existente na sociedade cabo-verdiana.

Segundo o autor, a obra, que vai ser lançada hoje na Biblioteca Nacional, Cidade da Praia, está inserida numa coletânea de contos, ambientado à volta das “ribeiras de vila” (antigamente) da Assomada e vai ser publicada ao longo do tempo.

“Já está pronto mais um livro a ser editado em Cabo Verde, que é também ambientado na ribeira de Boa Entrada (Assomada)”, disse, ressaltando que “A Feiticeira de Fonte Lima” é uma estória sobre a descoberta do medo, ou seja, o conto gira à volta de algumas crianças que foram descobrir uma senhora que supostamente era feiticeira, mas que ao terem contacto com ela, descobriram que não passava de um “mito”.

“Descobriram que afinal eram mitos criadas pela aldeia para que eles não se afastassem da zona segura. Basicamente é uma história sobre o medo”, justificou.

À Inforpress, adiantou ainda que para escrever este livro de apenas 39 páginas, como sendo o seu primeiro livro infantojuvenil, baseou estritamente em contos da sua infância, uma vez que chegou a “conhecer várias feiticeiras” na sua infância e que não chegava perto delas por medo.

Para o governante, estas pessoas antigamente denominadas de feiticeiras, hoje em dia verificando à distância, a única explicação reside no facto de serem pessoas que viviam solitárias com rotinas fora do comum, no qual a sociedade acaba por criar um “mito” à volta desses indivíduos provocando medo no seio das crianças.

“Isto tem que ver também com a construção da meninice no interior da ilha de Santiago”, acrescentou.

A obra, para além de estar direcionada público a infantojuvenil, está vocacionada também para os pais. Abraão Vicente defende que numa sociedade onde os pais “estão sempre numa correria e ausentes de casa”, pelo menos a hora de dormir deve ser momento de contação de história.

Sustentou ainda que escolheu este público porque a obra constitui um género que não toca em assuntos que têm que ver com a política, referindo que “o coletivo infantojuvenil é difícil”, pois são contos que possuem uma pedagogia por detrás, visto que é preciso “engajar as crianças e captar a sua imaginação”.

O livro do autor Abraão Vicente, com a ilustração de Paulo Brito, foi editado pela Plátano, uma editora portuguesa e vai ser apresentado pela investigadora e curadora da Biblioteca Nacional de Cabo Verde, Fátima Fernandes, e pelo ator de teatro Gil Moreira.

O lançamento da obra do ministro de Cultura e das Industrias Criativas, também poeta e pintor, vai contar com a presença das crianças como convidadas especiais, uma vez que junho é o Mês da Criança.

Comentários