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Primeira longa-metragem de Samira Vera-Cruz estreia-se no Cine Fest Luso Mundo em Bruxelas

“Sukuru” , a primeira longa-metragem da realizadora e produtora cabo-verdiana Samira Vera-Cruz , estreia-se na primeira edição do Cine Fest Luso Mundo2017, em Bruxelas (Bélgica), certame que acontece de 24 a 29 de outubro.

créditos: Inforpress

Depois de ter rodado duas curtas-metragens, “Buska santu” e “Hora di Bai”, a jovem produtora decidiu aventurar-se nesta longa-metragem de 1:30, que retrata a situação da saúde mental e da toxicodependência.

Em declarações à Inforpress, Samira Vera-Cruz contou que há mais de dez anos decidiu tratar essas duas questões, que a preocupa muito, uma vez que, segundo explicou, a esquizofrenia e a toxicodependência têm sido tratadas em Cabo Verde como um “tabu”.

“A tendência é abandonar quem se desequilibra. Vemos muitas pessoas a viverem na rua, completamente descompensadas e é algo que me preocupa e, me leva a pensar em quem toma conta dessas gentes e porque elas são abandonadas. Por isso, resolvi tratar estas questões”, contou.

Segundo a realizadora, o filme, que está na reta final da sua edição, é um thriller psicológico que conta a história de Jiló, um jovem esquizofrénico viciado em crack e que durante o seu percurso dialoga com Deus, com o Demónio e com os mortos.
Para além de “Sukuru”, a jovem realizadora vai apresentar o seu documentário

“Hora de Bai”, uma curta-metragem vencedora do concurso PALOP-TL UE, no âmbito das comemorações do 25º aniversário da cooperação dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa – Timor Leste (PALOP-TL) com a União Europeia (UE).

Depois de “Buska Santu” ter feito abertura do oitavo Fórum de Cinema Kugoma, em Moçambique, em finais de setembro, e de “Hora de Bai” ter feito a sua estreia mundial, a produtora Parallax Produções, segundo disse, teve portas aberturas para participar em vários eventos internacionais.

Neste sentido, com o filme “Hora di Bai”, Samira Vera-Cruz vai participar na Mostra de Cinema de Mulheres que falam o Português, no Rio de Janeiro, Brasil, evento que terá repetição em Lisboa, em janeiro de 2018, e, em seguida, o mesmo filme será apresentado em Curtas Santos, em São Paulo (Brasil).

Ainda no mês de novembro, a realizadora vai estar presente no Festival de Cinema, no Mindelo, a convite da União Europeia e dos PALOP e, por fim, será a vez da Cidade da Praia acolher a projeção do “Hora di Bai” e do lançamento do DVD dos filmes vencedores do concurso do PALOP-TL UE.

Para o mês de dezembro, está prevista a estreia de Sukuru, na cidade da Praia, informou.

Para Samira Vera-Cruz, apesar de a produtora “Parallax Produções” ser nova no mercado, em curto espaço de tempo, conseguiram , sem meios, realizar dois filmes.

“Isto é para mostrar que, apesar do cinema cá ainda não ter financiamentos sérios, porque o cinema custa investimento e não damos um passo maior sem financiamento, é possível fazer e temos ideias para filmes pelo menos até 2020”, sublinhou.

A produtora informou que já tem em carteira dois documentários, sendo um denominado “Verão”, que será rodado realizado em São Vicente.

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