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Depois do escândalo, Kevin Spacey é substituído por Christopher Plummer em filme de Ridley Scott

O veterano ator Christopher Plummer vai refazer todas as cenas de Kevin Spacey no último filme de Ridley Scott, "All the Money in the World", que estreia dentro de algumas semanas.

É uma novidade completamente inesperada: o veterano ator Christopher Plummer vai refazer todas as cenas em que Kevin Spacey entrava no último filme de Ridley Scott, "All the Money in the World", após as denúncias sexuais que envolvem o ator, confirmou uma fonte do estúdio Sony.

O realizador Ridley Scott decidiu fazer a troca e filmar rapidamente todas as cenas para manter a data da estreia do filme a 22 de dezembro.

"O estúdio apoiou", afirmou uma fonte, que pediu anonimato à AFP.

"Estão comprometidos com a data de 22 de dezembro. Se alguém pode conseguir é Scott", completou.

Plummer interpretará agora J. Paul Getty em "All the Money in the World", sobre o sequestro do neto de 16 anos do magnata americano, em 1973.

Spacey filmou durante oito dias, mas aparece sozinho em muitas cenas. Segundo a imprensa especializada, os protagonistas Mark Wahlberg e Michelle Williams concordam com a decisão e estão prontos para regressar às filmagens.

Curiosamente, Christopher Plummer, vencedor de um Óscar, foi de facto a primeira opção para o papel, mas o estúdio queria um nome mais famoso, segundo a revista The Hollywood Reporter.

"All the Money in the World" era uma das principais apostas da Sony para os Óscares e com a mudança pode manter-se na corrida.

Apenas há dois dias, o estúdio tinha decidido retirá-lo da sessão de encerramento do American Fim Institute Fest (AFI Fest), que é uma das posições de maior visibilidade para a temporada de prémios que culmina na cerimónia dos Óscares.

"'All the Money in the World' é um filme soberbo e mais do que merecedor da sua posição de honra no Festival do AFI Fest. Mas dadas as atuais alegações em redor de um dos seus atores e por respeito pelos que foram afetados, seria inadequado celebrar numa gala neste momento difícil. Nesse sentido, o filme será retirado", referia o comunicado a anunciar a decisão.

"No entanto, o filme não é o trabalho de uma pessoa. Existem mais de 800 outros atores, argumentistas, artistas, técnicos e equipas que trabalharam incansavelmente e eticamente neste filme, algumas durante anos, incluindo um dos realizadores mestres do cinema. Seria uma enorme injustiça puni-los a todos pelas atitudes erradas de um ator secundário no filme. Nesse sentido, o filme irá estrear em muitas salas a 22 de dezembro como planeado", concluía.

Uma queda vertiginosa

A reputação de Kevin Spacey começou a ser arrasada quando, inspirado pelas várias denúncias de assédio sexual e violação a nomes poderosos em Hollywood nas últimas semanas e particularmente pelo caso Harvey Weinstein, o ator Anthony Rapp, que fez carreira em vários musicais da Broadway e participa na série "Star Trek: Discovery", acusou-o de, em 1986, quando Rapp tinha 14 anos e Spacey 26, de ter feito uma "investida sexual agressiva" contra si depois de uma festa em Nova Iorque.

Anthony Rapp
Anthony Rapp

Em resposta às acusações de Rapp, Kevin Spacey partilhou na sua conta de Twitter um pedido de desculpas e assumiu a sua homossexualidade.

Spacey começou por dizer que não tinha memória do encontro mas desculpa-se pelo que Anthony Rapp o acusa de ter feito.

"Honestamente, não me recordo do encontro, que teria sido há 30 anos. Mas se me comportei como ele descreve, devo-lhe um sincero pedido de desculpas por aquilo que terá sido um comportamento verdadeiramente inadequado e alcoolizado, e lamento os sentimentos que ele descreve ter carregado consigo durante todos estes anos", disse o ator.

A seguir, falou sobre a sua vida privada e confirmou que é homossexual.

"Sei que há histórias sobre mim e que algumas foram alimentadas pelo facto de eu ser tão protector em relação à minha privacidade. Como os que são mais próximos de mim sabem, na minha vida tive relações com mulheres e homens. Amei e tive encontros românticos com homens ao longo da minha vida, e escolho agora viver como um homem gay", acrescentou Spacey no Tweet.

A mistura na declaração de pedofilia e homossexualidade foi amplamente criticada por vários setores.

Entretanto, surgiram outras acusações do realizador Tony Montana, o ator mexicano Roberto Cavazos, do ator americano Harry Dreyfuss e um ex-funcionário do teatro londrino Old Vic.

Outro ator, sob anonimato, também afirmou que a estrela de Hollywood o tentou violar quando ele tinha 15 anos.

Segundo a CNN, oito atuais e antigos funcionários de “House of Cards” acusaram Spacey de ter tornado tóxico o ambiente da produção de "House of Cards", por causa do assédio sexual.

Um porta-voz do ator afirmou à imprensa que Kevin Spacey vai submeter-se a tratamento.

Vários homens acusaram Spacey de abuso sexual a partir do final de outubro, após a explosão do escândalo envolvendo o produtor Harvey Weinstein e o seu assédio a dezenas de mulheres.

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